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Expanda seu cérebro como
o de um taxista londrino

Olá, ##nome##!

Em Londres, uma profissão que exige bastante qualificação é a de motorista de táxi. Não qualquer táxi, é claro, mas os famosos táxis pretos londrinos, como este aqui.

Não é à toa que é considerado um dos melhores serviços de táxi do mundo. Afinal, para ser taxista dos black cabs não basta adquirir uma licença, como é feito no Brasil, é preciso estudar de dois a quatro anos e ser aprovado no "The Knowledge" – um rigoroso teste em que é necessário demonstrar a memorização dos nomes de todas as ruas em um raio de 25 milhas da Charing Cross (o coração de Londres, usado para medir todas as distâncias da cidade). Ou seja, os taxistas londrinos têm uma memória excelente: gravam a localização de incríveis 25 mil ruas e 20 mil monumentos!

O curso preparatório é considerado um dos mais exigentes do mundo, e os candidatos levam, em média, três anos para conseguir aprovação (depois de fazer a prova mais ou menos 12 vezes antes de passar!).

Esse fato não passou despercebido pelos pesquisadores da University College of London, que em 2000 iniciaram um estudo sobre a memória desses profissionais e a relação com o treinamento espacial complexo que recebiam. Eles constataram que, no fim do período de treinamento, o hipocampo do cérebro dos taxistas havia crescido de maneira significativa (área cerebral especializada na aquisição e no uso de informações espaciais). Conclusão: o treinamento excepcional dos taxistas era a razão para o seu crescimento cerebral surpreendente.

Como consta no livro Mentalidades matemáticas (Penso, 2017), tal grau de plasticidade cerebral impressionou os cientistas, e isso levou a uma mudança de pensamento sobre a aprendizagem e a capacidade de desenvolvimento e crescimento do cérebro mesmo na idade adulta. Com as novas tecnologias, cientistas comprovaram que o cérebro tem plasticidade em qualquer idade e, quando aprendemos algo novo, "uma corrente elétrica dispara em nossos cérebros, passando por sinapses e ligando diferentes áreas cerebrais".

"Se você aprende algo em profundidade, a atividade sináptica cria conexões duradouras em seu cérebro, formando caminhos estruturais. Contudo, se você visita uma ideia apenas uma vez ou de uma maneira superficial, as conexões sinápticas podem ser apagadas, como sulcos feitos na areia. As sinapses disparam quando a aprendizagem acontece, mas a aprendizagem não acontece somente nas salas de aula ou por meio da leitura de livros. As sinapses também disparam quando conversamos, jogamos ou construímos brinquedos e durante muitas outras experiências (Boaler, 2017, p. 1-2)."

Aonde quero chegar com isso? No ensino da matemática, meu caro Watson! Essas novas evidências da neurociência são importantíssimas para a educação, pois revelam que todas as pessoas, com o ensino adequado, podem ser bem-sucedidas em qualquer disciplina, mas principalmente em matemática (esqueça a história de que quem é bom em ciências humanas não pode ser bom em ciências exatas, ok?).

No Brasil, e em todo o mundo, existem muitas crianças com dificuldades para aprender matemática. Para muitas delas é dito todos os dias que, se são boas em outra disciplina, não precisam (ou não conseguirão) ser boas em matemática.

O que Jo Boaler, professora de educação matemática na Stanford University, nos diz, é que pais, professores e toda a comunidade escolar devem deixar suas opiniões rigorosas e determinantes sobre a aprendizagem e aproveitar os dados dos colegas cientistas para levar vantagem usando o próprio cérebro para isso. É preciso ter uma mentalidade de crescimento. Ou seja, os estudantes com dificuldades precisam receber mensagens positivas sobre seu potencial para que tenham autoconfiança e acreditem que são tão bons quanto os considerados "inteligentes em matemática".

Boaler é categórica: "não existe essa ideia de 'cérebro matemático' ou 'dom matemático'. Ninguém nasce sabendo matemática e ninguém nasce sem a capacidade de aprender matemática". Assim como ninguém nasce com a capacidade de memória dos taxistas londrinos, não é mesmo?

As conversas e o trabalho em matemática precisam refletir a nova ciência do cérebro e comunicar que todos os alunos podem aprender essa disciplina, não apenas aqueles que têm esse "dom". Esse pode ser o segredo para uma mudança radical na educação, para um futuro menos traumático em matemática, para que todos os alunos tenham acesso e oportunidade de explorar suas potencialidades. É preciso investir em uma mentalidade de crescimento que contribua de maneira significativa para a mudança na educação que tanto desejamos.

Parece mais simples do que memorizar a cidade de Londres, certo?

 
capa
Paola Araújo de Oliveira
Editora
Ciências Humanas
Conheça o livro mencionado neste e-mail:
capa
BOALER, J. Mentalidades matemáticas: estimulando o potencial dos estudantes por meio da matemática criativa, das mensagens inspiradoras e do ensino inovador. Porto Alegre: Penso, 2018.
Saiba mais sobre a obra!
grupoa.com.br
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